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Contra o machismo, Nike mostra do que as russas são feitas

Contra o machismo, Nike mostra do que as russas são feitas

O machismo oprime as mulheres em todo o mundo, mas em um país como a Rússia em que a violência doméstica é despenalizada ele oprime mais.

Para exaltar e valorizar as russas, a nova campanha da Nike utiliza a tradicional música clássica tocada em portentosos teatros para mostrar do que as mulheres são feitas.

No filme, uma garota canta para um seleto público a canção infantil “What are our boys and girls made of?”. A apresentação segue normalmente, até a menina mudar a música original e dizer que mulheres não são feitas de sinos e flores, mas de garra, força e determinação.

Nesse momento, atletas de patinação, ginástica olímpica, skate e futebol saem da plateia para encorajar a jovem cantora.

Além do vídeo, a marca criou uma série de atividades esportivas e culturais para as moradoras de Moscou.

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Como as marcas podem ser mais feministas

Como as marcas podem ser mais feministas

Vender um produto: essa é a função primordial de uma campanha demarketing.

Mas já se foi o tempo em que vale tudo para fazer um produto ser desejado e consumido. Com as redes sociais, o público reage instantaneamente à publicidade, amando ou condenando as marcas.

Então, não dá mais para falar das mulheres como se ainda estivéssemos na década de 50. Hoje, elas são consumidoras e querem se ver representadas – e respeitadas – nas propagandas.

“Não tem mais volta – e ainda bem”, fala a publicitária Anna Castanha, professora de Marketing LGBT na ESPM. “A comunicação deixou de ser unilateral, o público tem a chance de dizer o que pensa e até de boicotar as empresas”.

Em um caso recente e inédito, após uma polêmica com sua propaganda da Aspirina (em junho desse ano), a AlmapBBDO retirou o trabalho do festival de Cannes e “devolveu” os prêmios que conquistara.

A propaganda descrevia situações com frases dúbias. Uma delas dava a entender que o homem estava gravando um vídeo íntimo sem o consentimento dela.

Não é só a imagem ruim que deveria assustar as empresas, mas também a perda de um grupo de consumidores.

Segundo uma pesquisa feita pelo Think Eva, 62,4% das mulheres responderam que a publicidade desperta o sentimento de “mesmice” nelas.

“É um público e uma chance de conexão sendo jogados fora”, diz Carla Alzamorra, diretora de Planejamento da Heads Propaganda.

“Estamos praticando uma publicidade viciada, que determina papéis sociais e pensa que ‘mulher com pouca roupa vende'”.

Na mesma pesquisa do Think Eva, 85,8% gostariam de ver mulheres sendo retratadas como inteligentes e 72,3%, como independentes.

E também não é apenas com os consumidores que as empresas devem se preocupar, mas com o efeito que discursos opressivos causam na sociedade.

“A publicidade reforça o comportamentos e os torna parte da cultura”, explica Ana Passarelli, professora do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM e coordenadora de curso sobre Gênero na Publicidade. “E é uma cultura que coloca a figura feminina como objeto”.

No Brasil, mais de um terço da população acredita que a culpa por sofrer estupro é da vítima (como mostram os dados da pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Essa sociedade não precisa de mais reforço da publicidade mostrando mulheres em situações de vulnerabilidade e submissão.

Como no caso da propaganda da Skol em São Paulo no Carnaval de 2015, que foi muito criticada por relativizar o “não” e, assim, parecia incentivar o assédio sexual.

“Focando em pedaços do corpo da mulher, a propaganda a desumaniza e a vende como objeto de consumo da sociedade”, disse Anna Castanha.

Segundo a professora Ana Passarelli, a publicidade foi feita por homens desde o começo. “E nos anos 50 e 60, o uso da sexualidade na propaganda era para atender ao desejo dos homens, que eram maioria nas agências”.

E ainda eles são: nas grandes agências do Brasil, as mulheres compõem apenas 20% da área de criação, segundo pesquisa do Meio&Mensagem.

“E ainda é difícil ter pessoas diversas convivendo”, comenta Anna Castanha. “Para ter criatividade e mudar, você precisa de cabeças diferentes pensando juntas”.

Para mudar esse perfil, há dois anos a Heads Propaganda aderiu aos princípios de empoderamento feminino da ONU. Hoje, 58% dos funcionários são mulheres e elas são seis entre os dez principais diretores.

Para a diretora Carla Alzamorra, que acompanhou a mudança dentro da empresa, a paridade de gênero em todos os níveis trouxe maior troca de experiências entre os funcionários. O assunto da equidade foi posto em debate, fazendo os criadores questionarem mais a realidade do que produziam.

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Comercial subverte ideias sobre como mulheres deveriam agir

Comercial subverte ideias sobre como mulheres deveriam agir

“Isso não é coisa de mocinha”. “Mulher não faz isso”. “Uma dama não se veste assim”.

A nova campanha da H&M resolveu dar um basta em todo esse machismo e sexismo.

No comercial, que divulga sua coleção de outono, a marca traz uma versão da música “She’s a Lady”.

As cenas mostram mulheres quebrando todos os tipos de estereótipos sobre como “uma mulher deveria agir ou se vestir”.

A criação foi da agência sueca Forsman & Bodenfors.

A campanha conta com a atriz Lauren Hutton, a modelo Adwoa Aboah e a atriz transsexual Hari Nef, entre outros.

Quebrando tabus

Em campanhas passadas, a H&M já investiu na ideia de quebrar preconceitos e estereótipos no mundo da moda.

Em um comercial de 2015, a ideia era mostrar que não existe “errado” ou “pecado” quando o assunto é estilo. Cada um faz o que quiser e ponto.

No vídeo, apareciam pessoas de todos os tipos e chamou a atenção por fugir do óbvio e trazer, por exemplo, uma mulher de hijab, homens sikhs e transsexuais.

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