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Ri Happy, Estrela e Fundo Baobá lançam coleção de bonecas negras

Ri Happy, Estrela e Fundo Baobá lançam coleção de bonecas negras

A marca Estrela, em parceria com as lojas Ri Happy e o Fundo Baobá (Fundo para Equidade Racial), acaba de lançar no Brasil uma coleção exclusiva com três bonecas negras.

A coleção foi batizada de Adunni. A palavra, em nígero-congolês Yorubá, quer dizer “a doçura chegou ao lar”.

Os brinquedos contam com uma boneca de bebê e também dois modelos de mulheres adultas (“fashion doll”), cada um com uma roupa diferente.

Segundo a Estrela, as cores vibrantes das roupas e das embalagens trazem influência de elementos de origem afro-brasileira

As bonecas podem ser encontradas nas lojas Ri Happy espalhadas pelo Brasil. Os valores são R$ 79,99 (boneca Bebê) e R$ 89,99 (Fashion Doll).

Segundo a Ri Happy, a ideia da coleção é quebrar preconceitos e educar as crianças sobre o respeito à diversidade.

De fato, bonecas de pele negra vão na contramão de um mercado dominado por bonecas brancas e loiras.

Recentemente, a Mattel também anunciou a criação de novos formatos de corpo e cor de pele e cabelo para suas bonecas, em uma medida inédita para ir contra padrões estéticos impostos (bonecas brancas, loiras, altas e muito magras).

A Ri Happy irá contribuir com um percentual de cada boneca vendida para o Baobá.

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Nike celebra a genial Simone Biles e outras atletas negras

Nike celebra a genial Simone Biles e outras atletas negras

 

No Brasil, a atleta da vez na Olimpíada é Rafaela Silva: mulher, negra e dona de uma medalha de ouro no judô.

Já nos Estados Unidos, o grande nome a conquistar atenção inédita é Simone Biles. Novamente: mulher, negra e dona de três ouros da Rio-2016.

Ou Simone Manuel, dona de dois ouros e duas pratas na natação – e a primeira mulher negra a vencer uma prova individual na modalidade.

Em novos comerciais, a Nike mostra o poder de algumas dessas atletas que passaram por cima de dificuldades, preconceitos e dúvidas para chegar aos Jogos Olímpicos como vencedoras.

Em  um momento no qual a violência policial contra a população negra fica mais evidente (no Brasil e também nos EUA) e o debate racial volta aos holofotes, a vitória de mulheres negras no Rio é uma inspiração para muitas meninas ao redor do mundo.

Aliás, vale relembrar a música “Young, Gifted & Black”, de uma outra Simone além de Simone Biles e Simone Manuel, que tem tudo a ver com o momento.

Escrita em 1969, por Nina Simone e Weldon Irvine, a música foi uma homenagem à memória de Lorraine Hansberry, grande amiga de Nina.

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Um escravo ajudou a criar o famoso uísque Jack Daniel’s

Um escravo ajudou a criar o famoso uísque Jack Daniel's

O famoso uísque Jack Daniel’s, criado em 1875 pela Jack Daniel Distillery, no Tennessee (EUA), teve a ajuda essencial de um escravo negro.

Essa é a nova história oficial que a marca começou a contar sobre sua origem.

A história, até então, era que Jack Daniel, ainda um adolescente, aprendera o processo de destilação e instruções de receita com um pastor e merceeiro de Lynchburg chamado Dan Call.

Agora, a marca revelou que o verdadeiro conselheiro de Daniel era um dos escravos de Call, chamado Nearis Green.

Essa versão da história já existia há muito tempo, mas era tratada apenas como uma lenda.

De acordo com o New York Times, a marca começou a falar do legado real de Nearis Green em suas redes sociais e no tour oficial pela destilaria no Tennessee – que atrai mais de 250 mil visitantes todos os anos.

O novo “storytelling” da Jack Daniel’s é uma mudança e tanto para um dos uísque mais populares do mundo.

Antes, a marca sempre explorara a “aura branca” de sua fundação, centrada na descendência de Daniel e seus pais: colonos galeses, escoceses e irlandeses.

Nos EUA, os escravos negros dos estados sulistas sempre tiveram papel essencial nas destilarias. Além de trabalharem à força, eles dominavam as técnicas de partes complicadas do processo.

Não é incomum que famosas receitas de destilados tenham sido aperfeiçoadas ou desenvolvidas por negros – e depois indevidamente apropriadas por fazendeiros brancos.

Estratégia de marketing

A transformação do mito na história oficial pela Jack Daniel’s não deixa de ser, também, uma estratégia de marketing.

A marca, visando os millenials (e, assim, um novo amplo mercado consumidor), pode estar atenta às questões raciais, que estão no centro do debate nos Estados Unidos e têm atraído os mais jovens.

Ao jornal NYT, Peter Krass, autor do livro “Blood and Whiskey: The Life and Times of Jack Daniel”, disse que, nos anos 1980, a marca tentou se conectar aos yuppies.

Agora, tenta se ligar aos millenials, muito atentos às questões sociais de “justiça”.

História

Mas a marca garante que é uma questão apenas de colocar sua história a limpo.

Também, o legado de Green ainda está sendo levado com cautela dentro da empresa.

Ainda não se sabe como, nos próximos anos, esse novo “storytelling” será divulgado e usado.

A versão sobre a participação direta de Nearis Green é antiga.

No livro “Jack Daniel’s Legacy”, de 1967, o autor Ben A. Green (sem relações com Nearis Green), cita uma fala do pastor Call, que pedira a Green para ensinar tudo o que sabia ao pequeno Daniel:

“Tio Nearis é o melhor fazedor de uísque que eu conheço”, teria dito na ocasião.

Em 1865, com o fim oficial da escravidão nos EUA (ratificação da 13ª emenda à Constituição Americana), Nearis Green foi liberto, mas continuou a trabalhar ao lado de Call.

Daniel teria começado a trabalhar em seu uísque em 1866 (ano que aparece nos rótulos da bebida até hoje) e empregou dois filhos de Green.

Mas a abertura oficial da destilaria, tendo Call como sócio, só aconteceu em 1875.

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